É Proibido Fumar! (2009)

por Luis Galvão

Sem dúvidas que esse foi um bom ano para o cinema brasileiro. Produções como o belíssimo ‘Á Deriva’ de Heitor Dhalia, as atuações memoráveis em ‘Tempos de Paz’ de Daniel Filho e os efeitos hollywoodianos de ‘Besouro’ de Tikhomiroff. Nesses últimos dias de 2009, entra em cartaz o longa de Anna Muylaert, que traz uma história clara e objetiva, que consegue fazer o público rir e refletir sobre as promessas de final de ano como poucos filmes brasileiros conseguiram. E muito disso vale pela ótima Glória Pires.

Glória aqui é Baby, uma professora de violão que parece ter parado no tempo, vive solitária com seus cigarros e alunos esporádicos. Até que surge Max (Paulo Miklos, que parece fazer o que a diretora quis), o vizinho divorciado que cria logo uma grande amizade com a professora. O único problema é que para conquistar esse homem, Baby terá que passar por um problema que aflige muitas pessoas do país: parar de fumar.

A história, como dá para vê, não é uma das mais criativas, ela tem um início, um meio e um fim programado. Tem um clímax e toda preparação é tratada com naturalidade e desenvoltura por Anna. Ela usa uma câmera certa, que dá uma atenção maior ao apartamento que Baby mora, e o utiliza como uma metáfora perfeita. No início o prédio é como se fosse o interior da personagem, bagunçado e triste, e com o passar do tempo uma mudança é perceptível.

Com tudo isso somado a uma interpretação premiada de Glória Pires, que transforma Baby em um personagem real, o filme consegue passar uma mensagem de final de ano sobre mudanças imprescindíveis na vida de qualquer um. Iniciar ou não uma nova etapa na vida? Essa grande pergunta soou diretamente para mim (que acabei de passar no vestibular e vou começar uma nova jornada), e me fez fazer a mesma pergunta: ‘Será que sabemos a hora exata de mudar?’. O filme mostra que sim, e o Cinema Brasileiro também está seguindo esse caminho.

7,5/10
Diretora/ Roteirista: Anna Muylaert; Elenco: Glória Pires, Marisa Orth, André Abujamra, Antonio Abujamra, Paulo César Peréio, Thogun; 86 min.