Abraços Partidos (2009)

por Luis Galvão

O cinema da metalinguagem é mais comum a cada dia e nas obras de Pedro Almodóvar, esse é um tema super recorrente em vários de seus títulos.  Aqui ele nos entrega mais um filme aos moldes de seus clássicos, com uma parte visual deslumbrante, um elenco competente e uma história que nas mãos de outros seria piegas e cansativa, mas aqui é trabalhada com a profundidade típica do diretor.

Harry Caine (Lluís Homar) é um escritor cego que convive com dilemas não resolvidos do passado. Há 14 anos ele, ainda com o nome de Mateo Blanco, sofreu um acidente em que perdeu a visão e outras coisas que lhe afetaram de uma forma inacreditável. Foi também há 14 anos que ele filmava seu primeiro filme de comédia com Lena (Penélope Cruz), uma ex-prostituta talentosa que era amante do empresário do filme. Entre o diretor e a musa  nasce um relacionamento imprevisível, que Harry/Mateo levará por toda sua vida. E a partir de uma conversa, ele vai relembrar tudo isso que ocorreu com ele e que ainda causa dor e sofrimento na alma desse homem.

Criar um entrelaçado de personagens reais e fictícios é fácil para Almodóvar. Lena é uma musa saída do nada e que vai direto para o estrelado e o diretor cego é mais um apaixonado ao extremo (é claro que ligar Penélope à Lena é óbvio e, para mim, proposital). A história brinca com o jogo de interpretação com a ajuda de atores que sabem a hora de interpretar um papel e depois apenas senti-lo saltar do corpo e invadir a tela. Cenas majestosas de Cruz com caras e bocas que só ela sabe fazer, com frases que martelam nossas cabeça e nos faz esquecer do resto, e, principalmente, com uma fotografia para ser apreciada na tela gigante do cinema.

Com tudo isso em mãos, Almodóvar entrega uma obra que tem alguns erros sim (principalmente no roteiro de idas e vindas; revelações parciais e algumas tramas paralelas não tão legais – o Dj, por exemplo, que acompanha a história de Harry e que também sonha em ser diretor não empolga). Mas, no final, foi como se eu tivesse assistindo o ‘Tudo Pode Dar Certo” de Woody Allen, não é a melhor obra, mas mantém toda a estética e estilo conquistado há anos e que continua a encantar a todos. A fórmula certa que nunca cai no ostracismo.

8,5/10
Direção/ Roteiro: Pedro Almodóvar; Elenco: Penélope Cruz, Lluís Homar, Blanca Portillo, José Luis Gómez, Tamar Novas, Rúben Ochandiano, Lola Dueñas; 128 min

O cinema da metalinguagem é mais comum a cada dia e nas obras de Pedro Almodóvar, esse é um tema super recorrente em vários de seus títulos.  Aqui ele nos entrega mais um filme aos moldes de seus clássicos, com uma parte visual deslumbrante, um elenco competente e uma história que nas mãos de outros seria piegas e cansativa, mas aqui é trabalhada com a profundidade típica do diretor.

Harry Caine (Lluís Homar) é um escritor cego que convive com dilemas não resolvidos do passado. Há 14 anos ele, ainda com o nome de Mateo Blanco, sofreu um acidente em que perdeu a visão e outras coisas que lhe afetaram de uma forma inacreditável. Foi também há 14 anos que ele filmava seu primeiro filme de comédia com Lena (Penélope Cruz), uma ex-prostituta talentosa que era amante do empresário do filme. Entre o diretor e a musa  nasce um relacionamento imprevisível, que Harry/Mateo levará por toda sua vida. E a partir de uma conversa, ele vai relembrar tudo isso que ocorreu com ele e que ainda causa dor e sofrimento na alma desse homem.

Criar um entralaçado de personagens reais e fictícios é fácil para Almodóvar. Lena é uma musa saída do nada e que vai direto para o estrelado e o diretor cego é mais um apaixonado ao extremo (é claro que ligar Penelope à Lena é óbvio e, para mim, proposital). A história brinca com o jogo de interpretação com a ajuda de atores que sabem a hora de interpretar um papel e depois apenas sentí-lo saltar do corpo e invadir a tela. Cenas majestosas de Cruz com caras e bocas que só ela sabe fazer, com frases que martelam nossas cabeça e nos faz esquecer do resto, e, principalmente, com uma fotografia para ser apreciada na tela gigante do cinema.

Com tudo isso em mãos, Almodóvar entrega uma obra que tem alguns erros sim (principalmente no roteiro de idas e vindas; revelações parciais e algumas tramas paralelas não tão legais – o Dj, por exemplo, que acompanha a história de Harry e que também sonha em ser diretor não empolga). Mas, no final, foi como se eu tivesse assistindo o ‘Tudo Pode Dar Certo” de Woody Allen, não é a melhor obra, mas mantém toda a estética e estilo conquistado há anos e que continua a encantar a todos.

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