Melhores Musicais da Década

por Luis Galvão

A década está terminando e listas chovem por esses dias, decidir fazer uma que poucos devem conhecer, mas não sabem o que estão perdendo. São os melhores musicais da Broadway dessa década. Tentei ser imparcial, mas infelizmente essa lista ficou muito parecida com o meu gosto pessoal. Considerei produções originais, e considerei algumas que não fez muito sucesso na contemporaneidade, mas aposto que daqui a algum tempo eles terão ‘revivais’ consagrados e alguns ainda percorreram várias décadas sendo encenados.

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5) Billy Elliot the Musical (2008)

A estréia de Stephen Daldry no cinema não poderia ter sido mais feliz, contar a história do menino que trocou o boxe pelo ballet, enfrentando o pai machista com a ajuda da professora foi tão bem adaptada para o teatro, que parece que a peça veio antes do filme.

Com a ajuda de Elton John, um cenário maravilhoso e três crianças ótimas que se revezam nas apresentações, o espetáculo, que tem uma produção no West End desde 2005, mas só chegou a Broadway ano passado, emocionando milhares de pessoas, e fazendo desse show um clássico que durará décadas.

4) Wicked (2003)

Todos devem conhecer a história de ‘O Mágico de Oz’, com Dorothy e seu cachorrinho Totó se aventurando com o Espantalho, o Homem-Lata e o Leão covarde, mas o que poucos conhecem é a história da Bruxa Má do Oeste (Elphaba), aquela que a jovem teve que matar para poder voltar para casa.

Quando o livro de Gregory Maguire, que a peça adaptou, estreou foi um sucesso, vê a outra face da moeda (a pobre criança-verde, abandonada pelos pais e rejeitada pela sociedade) foi espantoso e maravilhoso. O musical de Stephen Schwartz conseguiu transpassar através de músicas perfeitas toda a magia desse mundo encantado. E ainda retratar muito bem a amizade de Elphaba e Galinda (A Bruxa Boa do Norte), que começou de uma briga e se transformou em uma das mais fortes do teatro. Com o elenco original formado por Idina Menzel e Kristin Chenoweth, e vários Tony’s na estante, é hoje – sem dúvidas – um dos espetáculos mais procurados na Broadway e deve continuar com esse sucesso por muito tempo ainda, agradando desde jovens até adultos.

3) Avenue Q (2003)

Quando anunciaram um espetáculo com bonecos, era de se esperar algo mais na linha de ‘Vila Sésamo’ para crianças, mas o que Robert Lopez e Jeff Marx trouxeram  foi um dos shows mais desbocados e excêntricos já exibidos. Com palavrões de todas as qualidades, gays, ninfomaníacas, racistas e monstros, esse musical usa de todo humor negro possível e consegue fazer uma crítica a sociedade americana em geral.

Trazendo essas inovações tanto nas letras de sua música quanto na forma de fazer um espetáculo, Avenue Q é um sucesso até hoje, e foi o primeiro espetáculo a voltar ao Off – Broadway depois de passar 6 anos nos maiores teatros de NY e retorna para o subúrbio em teatros menores sem perder nem um pouco de sua intensidade.

2) The Producers (2001)

De tempos em tempos surgem alguns espetáculos com um ar de ‘revival’; porém, por incrível que pareça, a produção de 2001 é original em tudo. O filme de 1968 ‘A primavera de Hitler’ vai contar a história de dois canastrões que queriam lucrar em cima de um espetáculo malfeito, porém o que eles não esperavam era que o show é um sucesso e o mundo todo se interessa. Com essa história metalingüística, Mel Brooks fez um dos melhores trabalhos de reconstrução de época, e dirigiu um elenco tão afiado que um filme com parte dos atores originais (Nathan Lane e Matthew Broderick) foi feito em 2005.

Esse ar de ‘revival’ fez com que ele tenha o recorde de premiações no Tony (12 no total) e que faça um sucesso imenso, tanto hoje, quanto no futuro quando então irão fazer um remake de um dos musicais que foram feitos na época errada, mas que o sucesso veio acompanhando.

1) Grey Gardens (2006)

Talvez esse musical esteja no topo não por ele ser o melhor da década, mas por ele unir tudo que um grande musical necessite e não errar em nada. Desde o elenco maravilhoso, até a música majestosa de Scott Frankel, o show veio na década errada, pois ele traz tudo àquilo que ‘The Producers‘ trouxeram. Um sentimento que esse espetáculo é encenado há anos e esse é mais um ótimo ‘revival’, mas por incrível que parece, não.

A letra de Michael Korie, remota as grandes produções da época de ouro e nos revela a histórias de Little e Big Eddie de uma forma perfeita, cada um com suas excentricidades e personalidades fortes e distantes, além de viajar entre o presente e o passado como pouco se conseguiu no teatro. Um cenário que há muito tempo não se via em nenhum espetáculo, ele é grandioso em certos momentos e minimalista em outros – outra lembrança dos musicais clássicos – ainda conta com a ajuda de uma dupla em total sintonia que é Christine Ebersole e Mary Louise Wilson.

Com toda essa harmonia de elementos, acho que ‘Grey Garden’ será um daqueles musicais que ficará marcado na história da Broadway, e já se tornou um clássico.

Lembro ainda de outros que fizeram muito sucesso e que renderam muitos outros trabalhos no futuro: Spring Awakening (2006), Mamma Mia! (2002), Hairspray (2003), In the Heights (2007), Next To Normal (2008), Rock of Ages (2008)