Alô Alô Teresinha! (2009)

por Luis Galvão

alo-alo-teresinha

É certo dizer que o personagem Chacrinha povoa a mente de muitas pessoas, mesmo aquelas que nunca viram o programa (eu), sabem da importância dele para a televisão brasileira. Com sua irreverência, apitos e troféus, Abelardo Barbosa conseguiu seu espaço na TV e no imaginário dos indivíduos, se tornando um dos maiores ‘mitos’ dos anos 70 e 80. Neste documentário de Nelson Hoineff, em vez de desmitificar o comediante ele apenas enraíza esse forte lado do personagem.

Ganhador de Melhor Filme no Cine-Pe desse ano, Nelson fez um trabalho de garipagem e restauração de vídeos da época, montando um enorme mosaico da vida desse homem e misturando com depoimentos emocionados de várias pessoas que o conheceram e o ajudaram a ser o sucesso que ele é até hoje. De Roberto Carlos a Rita Cadillac, todos sabem da magia que existia por detrás desse apresentador e nesses testemunhos Hoineff acerta. Mas quando ele parte para o lado mais cômico dos entrevistados, ele tem uma mão forte e acaba se perdendo da construção de Chacrinha para centrar-se nos outros personagens que já tinham passado pelo programa. Perdendo, assim, o foco fundamental.

Como um dos entrevistados disse: ‘O deboche é cruel’, e no documentário é mais que explícito esse lado. Um homem que levou uma buzinada e chora ao lembrar-se disso, uma das chacretes nua em uma fonte de água, ou outra tentando entrar no maiô da época, são apenas alguns dos momentos ‘vergonha-alheia’ proposital que o diretor optou a colocar, e se defendeu dizendo que queria trazer aquela crueldade do velho guerreiro para o filme. Alguns podem não gostar, achar que expor isso é uma brutalidade, mas eu gostaria se isso se não atrapalhasse o roteiro, entretanto esse foco não foi bem explorado e parece está ali apenas para arrancar risos da platéia, e não mostrar quem realmente foi Abelardo.

No final, voltar àquele tempo em que eu não estive presente foi um ótimo, e conhecer mais um pouco desse ícone da televisão foi super satisfatório. Tirando alguns tropeços, Hoineff fez um filme debochado como o Chacrinha, que consegue nos fazer rir e admirar esse homem que fez a crueldade parecer comédia.

8/10
Diretor: Nelson Hoineff
Roteiro: Newton Cannito, Nelson Hoineff
Elenco: Roberto Carlos, Gilberto Gil, Wanderléia, Wanderley Cardoso, Gretchen, Sidney Magal, Russo
Duração: 95 min
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