Stella (2008)

por Luis Galvão

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Fazer um filme sobre a difícil transição entre a infância e a juventude não é novidade para ninguém. Mas a diretora francesa Sylvie Verheyde escolheu esse tema para iniciar sua carreira no cinema. E fez mais  do que apenas um filme sobre essas mudanças, fez um trabalho leve, divertido e cheio de descobertas.

Stella (Léora Barbara, que entrega um trabalho ótimo em seu primeiro papel) é uma menina do subúrbio da França de 1970, que tem 11 anos e consegue entrar em uma escola de prestígio. Assim que começa é logo estereotipada, mas ao contrário do normal, ela não parece sofrer com essa discriminação, ela é uma garota esperta, madura e que não leva desaforo para casa. Talvez esse amadurecimento precoce seja por causa do seu convívio familiar, e porque seus pais têm um bar em que ela passa a maior parte do dia, e aprende com os diversos personagens que aparecem por lá bem mais que a escola.

Mas ao se aproximar de Gladys, uma argentina que é a primeira da turma, a vida dela muda, e daí começam todas aquelas descobertas típicas de uma criança. Ela se apaixona, menstrua e vê o mundo de outra forma. E a câmera acompanha isso. Se no início do filme as imagens têm focos em coisas que normalmente só criança veria, com o passar do tempo, as cenas são vistas sob outra ótica, mais amadurecida e centradas.

Atores consagrados como Gillaume Depardieu, Benjamin Biolay e Karole Rocher fazem também um ótimo trabalho, mas a pequena Léora é o maior trunfo do filme, ela encanta com apenas um olhar. Como já é de praxe, Sylvie Verheyde também teve o apoio de uma trilha sonora francesa perfeita, uma fotografia fora do normal e um roteiro (quase autobiográfico) majestoso, que a ajudam a fazer dessa produção uma ótima estréia. Um filme que toca, faz rir e emocionar em poucos minutos.

direção/roteiro: Sylvie Verheyde
elenco: Léora Barbara , Mélissa Rodriguez , Karole Rocher, Benjamin Biolay, Gillaume Depardieu
duração: 01 hs 43 min