Cirque Du Soleil: O início (1984 – 1993)

por Luis Galvão

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O ano era de 1984 e dois artistas de rua, Guy Laliberté e Daniel Gauthier, foram chamados para realizarem um espetáculo circense em comemoração ao 450º aniversário descoberta do Canadá. Mas eles queriam revolucionar, e decidiram que em seus números não utilizaram um dos principais atrativos do circo: os animais. Esse foi o primeiro passo para as diversas outras inovações que eles iriam trazer para o circo moderno.

A platéia, de início, desaprovou as mudanças, mas Guy foi firme e solicitou mais investimento do governo para que a turnê continuasse durante um ano. O primeiro-ministro foi vê, ficou encantando e assim, deu continuidade ao sonho de Guy de ter seu próprio circo

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Após conseguir o investimento, Guy seguiu o modelo do Circo de Moscou, e passou a ter um espetáculo com um enredo, além de uma música intensa do começo ao fim. Para fazer ‘La Magie Continue’, Laliberté chamou um de seus principais colaboradores, Franco Dragone, que trouxe um pouco da ‘Comédia Dell’arte’ para o show.

Mas esse ainda não seria as portas do sucesso do Cirque, é um espetáculo que ainda lembra muito produções normais, se não fosse a alta técnica dos artistas. Desde modo, dívidas se acumularam e a falência era certa, se não fosse a ajuda de grupos que prestaram favores ao Cirque de graça, e ao governo que continuou quitando os débitos, cada vez maiores.

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Mesmo com problemas financeiros, o Cirque foi convidado a se apresentar em um festival em Los Angeles, em 1987. Caso o show fosse um fracasso, o Guy teria que fechar as portas do Cirque. Porém foi um sucesso muito grande, e várias empresas se oferecem para gravas o show e produzir para a venda, mas Guy não aceitou os convites e até hoje o custo da produção dos DVDs é da própria empresa.

O espetáculo não é ruim, mas também ainda é muito longe do que se conhece hoje como Cirque Du Soleil, o picadeiro, por exemplo, ainda é dos circos típicos, sem um cenário. E as músicas ainda não tinham intérpretes que cantavam ao vivo, eram músicas criadas por eles, porém gravadas.

É certo que o espetáculo chamou a atenção da mídia. Contudo no final de 1989, o Cirque se encontrava mais uma vez com sérios problemas internos e muitas dívidas para pagar.

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Quando tudo parecia perdido, Guy chama novamente, em 1990, Franco Dragone para dirigir um novo espetáculo, ‘Nouvelle Expérience’, baseado em um conto de Júlio Verne que contava sobre jóias escondidas na Terra. Franco fez algumas exigências, como tirar a cortina vermelha que dividia a platéia dos artistas, ou seja, os personagens começavam a interagir no espetáculo inteiro, e tinha apenas um papel ao longo da peça. Algo que surpreende já na primeira vista.

O espetáculo ainda trouxe músicas com uma língua criada (“Cirquish”) pela própria trupe, e ainda músicos ao vivo em todas as sessões. È um bom espetáculo, que traz números realmente bons, como o contorcionismo com quatro mulheres que fazem coisas simplesmente absurdas e um equilíbrio com cadeiras que é algo fora do normal.

O espetáculo ficou em cartaz até 1993, e foi o passaporte de entrada para produções cada vez maiores, e com altos investimentos. A partir de ‘Nouvelle’ é que o Cirque Du Soleil passou a ser referência em arte e se tornou uma das empresas mais lucrativa do mundo. Investindo alto em excelência e inovação, o Cirque Du Soleil virou sinônimo de ‘sonhos materializados’ e que mesmo com as portas se fechando, ele conseguiram escancará-las e ser o que são hoje.