Distrito 9 (2009)

por Luis Galvão

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Metáforas no cinema sempre são fáceis de encontrar, mas tem algumas que são tão bem feitas que em poucos segundos de filme já se pode notar que tudo aquilo é a forma que o diretor, nesse caso o sul-africano Neill Blomkamp, encontrou para debater sobre os assuntos mais diversos. Acredito que esse seja o grande mérito de ‘Distrito 9′

A história dos alienígenas que pousaram em Johanesburgo e se estabeleceram no tal distrito se mistura com a do agente Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley, uma ótima surpresa em sua atuação) que contrai um vírus e se torna único ser humano capaz de manipular as armas alienígenas. Isso se torna o ponto para desenvolver uma tese não apenas sobre o ‘apartheid’, mas sobre toda a segregação social, xenofobia, ética e até mesmo terrorismo contemporâneo.

O “mockumentary”, que joga com essa onda sci-fi atual, vem de uma fórmula usada muito bem em ‘Cloverfield’ e o diretor ainda acerta em escolher uma fotografia empoeirada e um roteiro que flui culminando em um clímax decisivo. Talvez em algumas cenas onde são usadas câmeras que não estão dentro do filme, ele possa perder um pouco sua veracidade, mas mesmo assim não atrapalha o ótimo trabalho.

Com efeitos visuais que impressionam, um ator que leva a trama de uma forma espetacular e uma câmera segura, o filme é uma inteligente ficção-cientifica que nos leva a refletir se altos investimos realmente são necessário para trabalhos sérios, maduros e comprometidos com uma causa maior, que aqui é mostrar as verdadeiras faces do ser humano.