Apenas o Fim (2008)

por Luis Galvão

apenas o fim

Faz tempo que o cinema brasileiro vem mostrando películas cada vez mais diferentes do que é esperado do Brasil, mostrando um lado que não remete às favelas, tiroteios, seqüestros, ou nordestino retirante. E “Apenas o Fim” é uma boa amostra que o cinema feito para divertir às vezes supera aqueles típicos filmes tupiniquins.

A trama começa quando Adriana (Érika Mader) avisa para o namorado Antônio (Gregório Duviver) que decidiu fugir de casa para recomeçar uma nova vida em outro lugar. A partir daí, o cinema se torna um balaio de referências que vai desde Britney Spears até Cavaleiros do Zodíaco. No filme de Matheus Souza (um estudante da PUC do Rio de Janeiro com apenas 20 anos) a história mescla tantos elementos contemporâneos, que chega ser engraçada nossa semelhança com os personagens, e isso passa para a platéia de uma forma perfeita e constrangedora, pois Antônio é um ‘nerd’ que acessa os mesmo sites que muitos de nós, e gosta de filmes, quadrinhos e tantas outras coisas que qualquer jovem gosta. E isso é ótimo de se vê.

Participações mais que especiais de Marcelo Adnet, Natália Dill e Álamo Facó interpretando eles mesmos, e se cruzando com a verdadeira história da produção do filme, pois todos ali são amigos e fizeram o filme por puro prazer e camaradagem. Talvez por isso que a ‘atuação’ deles nem se pareça com uma, afinal, eles são assim mesmo, e estão apenas gravando essas coisas corriqueiras que vivenciam.

Influência de Cameron Crowe, Richard Linklater e até Nick Hornby são visíveis na mão do diretor que faz um ótimo trabalho, e deve ser uma grande aposta no futuro. Se ele não tem medo de colocar a câmera no teto e filmar os dois na cama discutindo sobre ‘Transformers’ ele pode muito mais.

O filme levou o prêmio do público e uma menção honrosa do júri no Festival do Rio ano passado merecidos, e mesmo tendo apenas 1 hora e 20 minutos e ter gasto pouco mais de oito mil reais, encanta a todos rapidamente exatamente por essa sua simplicidade não-disfarçada (que muitos tentam e não conseguem), e pela verdade que salta de cada diálogo inteligente e dos comentários desse mundo, que nós conhecemos tão bem.