Chicago (2002)

por Luis Galvão

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Certas coisas marcam profundamente a visão de uma pessoa sobre o mundo, isso pode ser um livro, uma música ou um filme que ficou marcado na vida de alguns. E isso não é de hoje.

A história não é das mais simples, ou pode até ser, mas seguir os destinos de duas personagens tão diferentes entre si, e ao mesmo tempo tão parecidas, foi uma tarefa fácil nas mãos de Rob Marshall, ex-auxiliar do imortal Bob Fosse, e que consegui passar para tela todo encanto de Chicago, ganhador de 6 oscars, incluindo melhor filme em 2003 (35 anos depois que Oliver!, também um musical, ganhar a estatueta) e um marco para o renascimento dos musicais em hollywood.

Dizem que o exagero estão nos pequenos passos, e é isso que o filme se propõe, uma marca já muito bem explorada por Bob no passado, os pequenos gestos regem a trama, seja na ascensão de Roxie, e na decadência de Velma, personagens femininas que marcam. Se no início do filme, os olhos de Roxie vislumbram Velma no palco do Onxy hotel, o final apoteótico une as duas em uma grande perfomance. As histórias parelelas, de crimes aversos – enquanto uma mata a irmã e o marido adúltero, a outra, que era a amante, mata o seu cúmplice por prometer não cumprir as promessas – são unidas através da figura do advogado Billy e da prisão em que as duas são trancafiadas sob a vigilância de Mama.

Da abertura estoniante ao som de All That Jazz, onde o estilo ‘vaudeville’  é caracteristico e os crimes são cometidos, ao seu final Nowadays, na qual o branco reina como redenção das duas, o filme passa sobre generos musical típicos da era de ouro, o sapateado, a dança de salão, as musicas de cabaret, as lantejoulas, a voz potente de Queen Latifah, tudo culmina para um espetáculo que poderia soar exuberante, tipo Moulin Rouge, mas acontece algo diferente aqui, os pequenos passos, porém rápidos, do jazz, a atmosfera do presídio e o olhar de cada personagem traz um quê minimalista ao filme.

Intreprataçõs de tirar o folêgo de Catherine Zeta-Jones, que atua tão bem quanto canta e dança e com seu Oscar merecido, Renné frágil como sua personagem pede, porém astuta e sempre com um plano por trás, Richard Gere malandro se divertindo o filme inteiro e John C Relly aparecendo como o marido idiota de Roxie, mas que sente por ela um amor imensurável, completam o filme que marca por suas músicas contagiantes, coreografias sinconizadas e interpratações que cativam.

Não apenas a fotografia de Dion Beebe, como também a trilha dos três cavaleiros do jazz (Danny Elfman, Perry Cavari e John Kander) apenas auxiliam na direção perfeita de Rob Marshall, que ainda não tem seu Oscar mas pode vir esse ano por ‘Nine’, e completam o time que transformou o eterno musical de Chita Rivera e Bob Fosse, em uma película muito bem feita, e agradável a quem assiste.

Um musical necessário e importante para fincar esse velho gênero de volta às telas, resultados recentes como Mamma Mia!, Sweeney Tood, Nine e outras, são apenas frutos da boa aceitação do gênero desde Chicago.