Hairspray (2002)

por Luis Galvão

Hairspray

Quando “Hairspray” estreou na Broadway em 2002 tinha um filme de John Waters, “Hairspray – Éramos Jovens” (1988), como inspiração. Mas o que Marc Shaiman (músico/letrista), Scott Wittman (letra), Mark O’Donnell e Thomas Meehan (texto e adaptação), fizeram foi algo muito superior ao filme.

A história, muitos devem saber por causa da refilmagem de 2007 (que segue o roteiro da peça, mas tem algumas letras mudadas, porém ainda sim um bom filme que devo comentar aqui depois), sobre a garota Tracy, “gordinha”, mas com gingado, com o sonho de entrar em um programa de televisão dos anos 60 “The Corny Collins Show”. Em meio a esse sonho, a América ainda vive sob o preconceito televisivo, no qual negros não podiam aparecer, a não ser um único dia no ano, quando celebravam o “Black’s Day”. Tracy tem uma mãe conservadora (Edna, sempre interpretada por um homem tranvestido), e uma melhor amiga (Penny) atrapalhada que acaba por se apaixonar por um negro da escola. O  sucesso de Tracy acaba ameaçando a hegemonia de Amber Von Tussle, uma garota mimada e filha de Velma von Tussle – diretora do programa, e a disputa entre elas torna-se mais acirrada quando as duas jovens se interessam pelo mesmo rapaz, Link.

O musical, que estreou em 2002, foi indicado a 13 Tony’s, e ganhou 8 era para ser dirigido primeiramente por Rob Marshall, mas esse estava com as filmagens de “Chicago”, e não pode, porém indicou Marissa Jaret Winokur (que já tinha feito uma ponta em “Beleza America”) para Tracy. Marc e Scott tinham achado o maior trunfo do seu sucesso. Porém, ela estava com câncer e teria que fazer todas as sessões de quimioterapia, até que a peça estreasse. Jack O’brien (que nunca tinha feito uma grande peça, fora as adaptações de Shakespeare) foi o diretor da estréia. Que tinha no elenco aindao ótimo Harvey Fierstein como Edna, Laura Bell Bundy (que depois faria “Legally Blonde: The Musical”), Kerry Butler (que depois iria fazer “Xanadu: The Musical”), Linda Hart, Dick Latessa e Matthew Morrison (de Glee) como Link. Um elenco nada menos que estrelar.

As músicas, obras de arte dos musicais, remetem sempre aos anos em que se passa a peça, mas elas são de uma leveza, agilidade, e musicalidade perfeita. Desde o maior hino de amor a cidade de todos os tempos (“Good Morning Baltimore”), logo após um rock dançante que nada perde aos da época (“The Nicest Kids in Town”), e várias outras com letras engraçadas, mas que nunca se perde do contexto e roteiro da peça (“Mama, I’m a Big Girl Now” / “Welcome to the 60’s” / “Run and Tell That!”).

As músicas passam super rápido, e você quer sempre escutar mais uma vez, como “Without Love”, no qual Link diz está apaixonado por Tracy de uma forma belíssima. Temos o lado social em “I Know Where I’ve Been”, a música típica do protesto contra o racismo, uma parte da peça super condizente com os anos vividos nos EUA que lutavam por igualdade entre todos.

No final apoteótico, temos “You Can’t Stop the Beat”, unindo brancos e pretos, gordos ou magros em uma única dança cheia de ritmo. E temos a certeza que “Hairspray” é o musical definitivo sobre os anos 60, seja do laquê e exagero, ou do lado político, a forma mais atraente de mostrar uma parte da história no quais gordos não tinham vez tal como negros, ou qualquer um que se separasse do ‘típico’ americano.

Tony’s da Peça

  • Best Musical
  • Best Book of a Musical
  • Best Original Score (Music and Lyrics)
  • Best Performance by a Leading Actor in a Musical (Harvey Fierstein)
  • Best Performance by a Leading Actress in a Musical (Marissa Jaret Winokur)
  • Best Performance by a Featured Actor in a Musical (Dick Latessa)
  • Best Costume Design (William Ivey Long)
  • Best Direction of a Musical (Jack O’Brien)

E indicado ainda nas categorias de

  • Best Performance by a Featured Actor in a Musical (Corey Reynolds)
  • Best Scenic Design
  • Best Lighting Design
  • Best Choreography
  • Best Orchestration
Anúncios