15/12/2009

Fluídos Rápidos

Planeta 51

Com uma inversão de papéis entre alienígenas e humanos, essa animação tem por trás o gênio de Shrek ‘Joe Stillman’, porém, perto das produções atuais, essa aqui não passa de entretenimento exclusivo para crianças. Clichês bobos em uma história que poderia render bem mais. Situações esperadas de todos os personagens e algumas piadas soltas fazem desse filme esquecível entre tantas coisas melhores desse ano.

6,5/10
Diretores: Jorge Blanco, Javier Abad, Marcos Martinez; Roteirista: Joe Stillman; Elenco: Dwayne Johnson, Jessica Biel, Justin Long, Gary Oldman;91 min.

O Amor Pede Passagem

A história de um gerente de hotel desleixado que se apaixona por uma hóspede bem-sucedida e organizada é contada de uma forma dinâmica em sua primeira parte, mas que na segunda é arrastada com a entrada de novas tramas desnecessária. O ‘happy end’ no final é previsível desde os minutos iniciais, mas mesmo assim é gratificante. E a dupla Aniston e Zahn conseguem ser simpáticos o suficiente para levar a trama toda, ainda tem o Harrelson fazendo o ex-marido punk de Aniston que tem cenas ótimas. Uma comédia romântica para quem não gosta surpresas.

7,0/10
Diretor e Roteirista: Stephen Belber; Elenco: Jennifer Aniston, Steve Zahn, Margo Martindale, Fred Ward, James Hiroyuki Liao, Woody Harrelson; 94 min.

Coco Antes de Chanel

Anne Fontaine opta por uma cinebiografia sem emoção suficiente para uma mulher que acima de tudo, amou. Coco aqui é uma mulher cheia de romances com os mais diversos tipos de homens e só. Cadê o envolvimento com os nazistas? Cadê a polêmica mulher que revolucionou a moda? Ela se veste como um homem e acham que isso é o resumo de sua obra, mas enganam-se e perdem a oportunidade de retratar a verdadeira Chanel. Tirando isso, o elenco está bom (Audrey é irresistível), o figurino é um primor e a trilha sonora é macia, típica de filmes franceses. Mas não a altura desse ícone do século XX.

7,0/10
Diretora: Anne Fontaine; Roteiristas: Edmonde Charles-Roux, Anne Fontaine, Camille Fontaine; Elenco: Audrey Tautou, Benoît Poelvoorde, Alessandro Nivola, Marie Gillain, Emmanuelle Devos; 105 min.

Rindo à Toa

Uma comédia francesa que foi feita para mostrar a realidade da juventude na França. E das duas uma: ou lá é exatamente igual aos EUA, ou Lisa Azuelos mentiu para as câmeras e filmou cenas que poderiam estar em qualquer outro filme sobre adolescentes. A história da menina Lola de quinze anos que vive como qualquer outra menina de quinze anos, com briga de amigas, namorados que dão ‘pé-na-bunda’ e discussões com a mãe (uma ótima Sophie Marceau). A trilha sonora salva o filme do marasmo, mas ainda assim não consegue tirar o filme dos clichês e torná-lo ‘mais do mesmo’.

6,0/10
Diretora e Roteirista: Lisa Azuelos; Elenco: Sophie Marceau, Christa Theret, Jérémy Kapone, Marion Chabassol, Lou Lesage, Émile Bertherat; 103 min.

13/12/2009

Lua Nova (2009)

Que os livros de Stephanie Meyer são febre em todo mundo, e que agrada até parte dos críticos que conseguem enxergar verossimilhança em vampiros, lobisomens e outros seres, é óbvio. Mas a ‘Saga Crepúsculo’ (muito mal batizada, para dizer a verdade) teve, a princípio, o objetivo de conquistar fãs órfãos do bruxo mais famoso da década – sim, Harry Potter. Mas foi visto um público diferente dos do ‘menino da cicatriz’, um público histérico, que defende os livros até a morte e faz filas para a estréia dos filmes. Com première arrecadando ‘míseros’ US$72.7 milhões (batendo o recorde de ‘O Cavaleiro das Trevas’) “Lua Nova” chega para fincar o nome de Bella, Edward e Jacob entre os personagens que marcaram a adolescência de muitos.

Mesmo quem não leu os livros sabe que é nesse que o vampiro Edward (Robert Pattinson, apático e sem expressão como sempre) abandona Bella (Kristen Stewart, confesso que gosto da atriz, não do papel) para o bem dela mesma, porque um de seus semelhantes tentou matá-la. Ela, então, vai consolar-se nos ombros de Jacob (Taylor Lautner, o galã sem blusa e dono dos gritos no cinema), que tenta provar seu amor, mas não consegue conquistar o coração ainda apaixonado da menina. Logo descobrimos que Jacob faz parte de um clã de lobisomens, e a jovem Bella se vê mais uma vez tendo que aprender a conviver com seres que ela nunca imaginou que existissem.

Pelo menos foi isso que eu entendi. O filme – assim como qualquer adaptação de livros – corta cenas, alonga por demais outras e deixa lacunas para o próximo. Aqui o roteiro é muito rápido em determinadas partes e me deixou confuso sobre o que realmente estava acontecendo (talvez por eu não ter lido a obra), mas é possível sim chegar no final e vê que muita coisa aconteceu. O que é bom para filmes como esses, em que a ação e o romance são bem intercalados e parecem agradar todos os fãs.

“Lua Nova” consegue ser melhor que o primeiro filme da franquia por ter uns investimentos maiores e profissionais que estão de olho no lucro. Afinal, fazer algo que não agrade a fãs é um suicídio financeiro. E na frase final vemos que o ‘amor-doce’ é um dos principais temas do longa, o que pode agradar muitos e iludir outros. Ademais, é certo que no meio do próximo ano mais um recorde pode está por vim e mais lucro para os bolsos inteligentes daqueles que tiraram Meyer do anonimato e fizeram de seus livros um sucesso, mas que no final – particularmente – foi feito por encomenda.

7,9/10
Diretor: Chris Weitz; Roteiristas: Stephenie Meyer, Melissa Rosenberg; Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Ashley Greene, Peter Facinelli, Elizabeth Reaser; 130 min.

11/12/2009

Abraços Partidos (2009)

O cinema da metalinguagem é mais comum a cada dia e nas obras de Pedro Almodóvar, esse é um tema super recorrente em vários de seus títulos.  Aqui ele nos entrega mais um filme aos moldes de seus clássicos, com uma parte visual deslumbrante, um elenco competente e uma história que nas mãos de outros seria piegas e cansativa, mas aqui é trabalhada com a profundidade típica do diretor.

Harry Caine (Lluís Homar) é um escritor cego que convive com dilemas não resolvidos do passado. Há 14 anos ele, ainda com o nome de Mateo Blanco, sofreu um acidente em que perdeu a visão e outras coisas que lhe afetaram de uma forma inacreditável. Foi também há 14 anos que ele filmava seu primeiro filme de comédia com Lena (Penélope Cruz), uma ex-prostituta talentosa que era amante do empresário do filme. Entre o diretor e a musa  nasce um relacionamento imprevisível, que Harry/Mateo levará por toda sua vida. E a partir de uma conversa, ele vai relembrar tudo isso que ocorreu com ele e que ainda causa dor e sofrimento na alma desse homem.

Criar um entrelaçado de personagens reais e fictícios é fácil para Almodóvar. Lena é uma musa saída do nada e que vai direto para o estrelado e o diretor cego é mais um apaixonado ao extremo (é claro que ligar Penélope à Lena é óbvio e, para mim, proposital). A história brinca com o jogo de interpretação com a ajuda de atores que sabem a hora de interpretar um papel e depois apenas senti-lo saltar do corpo e invadir a tela. Cenas majestosas de Cruz com caras e bocas que só ela sabe fazer, com frases que martelam nossas cabeça e nos faz esquecer do resto, e, principalmente, com uma fotografia para ser apreciada na tela gigante do cinema.

Com tudo isso em mãos, Almodóvar entrega uma obra que tem alguns erros sim (principalmente no roteiro de idas e vindas; revelações parciais e algumas tramas paralelas não tão legais – o Dj, por exemplo, que acompanha a história de Harry e que também sonha em ser diretor não empolga). Mas, no final, foi como se eu tivesse assistindo o ‘Tudo Pode Dar Certo” de Woody Allen, não é a melhor obra, mas mantém toda a estética e estilo conquistado há anos e que continua a encantar a todos. A fórmula certa que nunca cai no ostracismo.

8,5/10
Direção/ Roteiro: Pedro Almodóvar; Elenco: Penélope Cruz, Lluís Homar, Blanca Portillo, José Luis Gómez, Tamar Novas, Rúben Ochandiano, Lola Dueñas; 128 min

O cinema da metalinguagem é mais comum a cada dia e nas obras de Pedro Almodóvar, esse é um tema super recorrente em vários de seus títulos.  Aqui ele nos entrega mais um filme aos moldes de seus clássicos, com uma parte visual deslumbrante, um elenco competente e uma história que nas mãos de outros seria piegas e cansativa, mas aqui é trabalhada com a profundidade típica do diretor.

Harry Caine (Lluís Homar) é um escritor cego que convive com dilemas não resolvidos do passado. Há 14 anos ele, ainda com o nome de Mateo Blanco, sofreu um acidente em que perdeu a visão e outras coisas que lhe afetaram de uma forma inacreditável. Foi também há 14 anos que ele filmava seu primeiro filme de comédia com Lena (Penélope Cruz), uma ex-prostituta talentosa que era amante do empresário do filme. Entre o diretor e a musa  nasce um relacionamento imprevisível, que Harry/Mateo levará por toda sua vida. E a partir de uma conversa, ele vai relembrar tudo isso que ocorreu com ele e que ainda causa dor e sofrimento na alma desse homem.

Criar um entralaçado de personagens reais e fictícios é fácil para Almodóvar. Lena é uma musa saída do nada e que vai direto para o estrelado e o diretor cego é mais um apaixonado ao extremo (é claro que ligar Penelope à Lena é óbvio e, para mim, proposital). A história brinca com o jogo de interpretação com a ajuda de atores que sabem a hora de interpretar um papel e depois apenas sentí-lo saltar do corpo e invadir a tela. Cenas majestosas de Cruz com caras e bocas que só ela sabe fazer, com frases que martelam nossas cabeça e nos faz esquecer do resto, e, principalmente, com uma fotografia para ser apreciada na tela gigante do cinema.

Com tudo isso em mãos, Almodóvar entrega uma obra que tem alguns erros sim (principalmente no roteiro de idas e vindas; revelações parciais e algumas tramas paralelas não tão legais – o Dj, por exemplo, que acompanha a história de Harry e que também sonha em ser diretor não empolga). Mas, no final, foi como se eu tivesse assistindo o ‘Tudo Pode Dar Certo” de Woody Allen, não é a melhor obra, mas mantém toda a estética e estilo conquistado há anos e que continua a encantar a todos.

10/12/2009

Screenplay: Nine (2009)

Esse talvez tenha sido o quarto ou quinto roteiro de filme que eu já li, portanto, não tenho muita prática de avaliação. Porém, vou tentar passar para vocês um pouco do que eu achei dessa adaptação de Michael Tolkin e Anthony Minghella (que morreu ano passado, mas já tinha quase concluido o trabalho)

[Alguns spoilers, mas nada muito sério que vá atrapalhar quando lançarem o filme. Eu juro que não contei o final]

O trabalho foi a adaptação da peça de Arthur Kopit, com letra e música de  Maury Yeston, que já tinha sido uma adaptação do filme ‘8 1/2′ de Fellini roteirizado por Ennio Flaiano, Tullio Pinelli, Brunello Rondi e o próprio Federico. Assim que começa o texto somos levados a uma entrevista de Guido em que ele solta a frase que permeia todo o resto do texto: “A film is a dream.” E isso leva por água abaixo quem acreditava que os roteiristas iriam optar por outro caminho para mostrar os números musicais. Se em ‘Chicago’ tudo era do ponto de vista de Roxie Hart, aqui Guido Cortini é que vai visualizar os espetáculos e participar da maioria.

O texto consegue passar com fidelidade o que provavelmente iremos vê na tela. Passagens como “Guido, alone, cigarette hanging from the corner of his mouth, contemplates the studio, its turbulent set, in every sense a jumble of ideas.” nos dá uma idéia de como o diretor está perdido em seus próprios pensamentos e que, com a criatividade em baixa, vê o estúdio como uma selva a ser explorada. E a partir daqui que começamos a conhecer todas as mulheres que fazem parte da vida desse homem. Luisa (sua esposa), Carla (sua amante), Claudia (sua musa), Lilli (sua produtora), Stephanie (a repórter), Mama (sua mãe) e Saraghina (a prostituta). Todas são descritas como seres que apenas perturbam a mente já atrapalhada de Guido, e que conseguem interferir arduamente em seu trabalho.

O trama se desenvolve basicamente no estúdio de Cortini, que está para dirigir um novo filme, mas que não consegue desenvolver a trama certa, com toda a produção e discussão típica dos bastidores das filmagens. Os roteiristas, portanto, nos dão a chance de visualizar todo esse universo das produções que nós, espectadores, não conhecemos.

Viagens para Roma (que aqui é descrita como “Rome of La Dolce Vita, the Rome of Vespas, skinny ties, cool sunglasses, impossibly cool young people.” - uma adoração ao cinema) na esperança que a inspiração apareça, ela vai rever todas essas mulheres, seja em flashback ou em telefonemas, mas o que todas tem em comum é a adoração por esse homem. Outras canções se seguem, e o roteiro consegue passar, a partir de diálogos bem construídos, toda a tensão em que Guido se encontra. E pontos esperados como a apresentação de Lilli, Claudia e Luisa são descritos sem muitos detalhes, acredito que todo o impacto causado na tela será uma surpresa para todos. Já que Marshall tem como ajuda uma parte técnica invejável.

Com personagens bem descritos, incluindo não apenas as mulheres como também os outros dois amigos que o acompanham na maioria das vezes (Dante e Fausto), o roteiro ainda não consegue extrapolar o óbvio e traz um musical como se fosse um furação, com o centro em Guido, e todos os outros dependentes dele para progredirem. O que mais me chamou a atenção foi realmente isso, tudo está ali por causa do Cortini, e é ele que vai conduzir toda a trama e que vai participar de todos os números, e vai encerra o filme com uma espécie de metalinguagem bem apropriada. Se na tela isso vai funcionar, não saberemos até o próximo ano, mas que Michael Tolkin e Anthony Minghella conseguiram dá uma agilidade maior ao musical da Broadway, isso é claro, e que o ‘cinema’ é o grande homenageado aqui é mais que provado.

9/10
Roteiristas: Michael Tolkin e Anthony Minghella (“Nine – Filme”); Arthur Kopit e Maury Yeston (“Nine – Broadway Musical”)

07/12/2009

Atividade Paranormal (2009)

Não sou fã de terror, não gosto de passar noites sem dormir, e ainda pagar para assistir metade do filme com a mão na cara. Dito isso, chego a conclusão que ‘Atividade Paranormal’ – do diretor estreante Oren Peli – dá muitos sustos na sala de cinema, mas adormecer no outro dia foi super fácil.

A história sobre um casal que a mulher (Katie) é assombrada desde os oitos anos por algum ‘fantasma’. Quando os dois decidem morar junto, Micah, o namorado, tem a brilhante idéia de comprar uma filmadora para descobrir o que está acontecendo à noite quando eles vão dormir e ela escuta barulhos esquisitos. A narrativa começa exatamente aí. Parece que ao comprar uma máquina e gravar o que acontece no escuro, Micah e Katie apenas atiçam o tal ‘fantasma-demônio’ e ele começa a fazer coisas bem piores do que sussurrar de noite. Mas isso tudo não é mostrado, talvez resida aí o verdadeiro ‘tchaan!’ do filme. As portas batem sem que ninguém faça nada, os passos são bruscos, porém sem vultos passando, e os gritos não são tão visíveis.

Aliado a uma jogada de marketing fenomenal, o filme consegue prender em algumas cenas o espectador desprevenido, mas se você para e refletir um pouco, os sustos são óbvios. Você vai notar quando algo vai acontecer e vai se perguntar do porque que esses personagens são tão burros como em qualquer outra fita de terror. A trilha sonora, por exemplo, revela mais do filme do que as imagens, e isso é um bom ponto positivo. O susto vem de coisas desconhecidas, e não de ‘monstros’ ou ‘vampiros’.

Os elogios, no entanto, ficam por aqui. Já que o filme tem partes arrastadas, personagens desnecessários (a irmã de Katie?) e um final mudado por um conselho de Steven Spielberg (que ajudou na distribuição do filme). Tentar vender um filme que custou 11 mil dólares e dizer que é o novo ‘Bruxa de Blair’ é muito fácil, difícil é conseguir fazer o que o filme antigo fez. Mas eles se esqueceram que os tempos mudaram e os adolescentes que fizeram os milhões lucrativos da ‘Bruxa’ cresceram, e a internet viabilizou momentos bem mais assustadores do que os mostrados na tela

7,5/10
Direção/Roteiro: Oren Peli;Elenco: Katie Featherston, Micah Sloat, Mark Fredrichs, Ashley Palmer, Amber Armstrong; 87 min

06/12/2009

Melhores Musicais da Década

A década está terminando e listas chovem por esses dias, decidir fazer uma que poucos devem conhecer, mas não sabem o que estão perdendo. São os melhores musicais da Broadway dessa década. Tentei ser imparcial, mas infelizmente essa lista ficou muito parecida com o meu gosto pessoal. Considerei produções originais, e considerei algumas que não fez muito sucesso na contemporaneidade, mas aposto que daqui a algum tempo eles terão ‘revivais’ consagrados e alguns ainda percorreram várias décadas sendo encenados.

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5) Billy Elliot the Musical (2008)

A estréia de Stephen Daldry no cinema não poderia ter sido mais feliz, contar a história do menino que trocou o boxe pelo ballet, enfrentando o pai machista com a ajuda da professora foi tão bem adaptada para o teatro, que parece que a peça veio antes do filme.

Com a ajuda de Elton John, um cenário maravilhoso e três crianças ótimas que se revezam nas apresentações, o espetáculo, que tem uma produção no West End desde 2005, mas só chegou a Broadway ano passado, emocionando milhares de pessoas, e fazendo desse show um clássico que durará décadas.

4) Wicked (2003)

Todos devem conhecer a história de ‘O Mágico de Oz’, com Dorothy e seu cachorrinho Totó se aventurando com o Espantalho, o Homem-Lata e o Leão covarde, mas o que poucos conhecem é a história da Bruxa Má do Oeste (Elphaba), aquela que a jovem teve que matar para poder voltar para casa.

Quando o livro de Gregory Maguire, que a peça adaptou, estreou foi um sucesso, vê a outra face da moeda (a pobre criança-verde, abandonada pelos pais e rejeitada pela sociedade) foi espantoso e maravilhoso. O musical de Stephen Schwartz conseguiu transpassar através de músicas perfeitas toda a magia desse mundo encantado. E ainda retratar muito bem a amizade de Elphaba e Galinda (A Bruxa Boa do Norte), que começou de uma briga e se transformou em uma das mais fortes do teatro. Com o elenco original formado por Idina Menzel e Kristin Chenoweth, e vários Tony’s na estante, é hoje – sem dúvidas – um dos espetáculos mais procurados na Broadway e deve continuar com esse sucesso por muito tempo ainda, agradando desde jovens até adultos.

3) Avenue Q (2003)

Quando anunciaram um espetáculo com bonecos, era de se esperar algo mais na linha de ‘Vila Sésamo’ para crianças, mas o que Robert Lopez e Jeff Marx trouxeram  foi um dos shows mais desbocados e excêntricos já exibidos. Com palavrões de todas as qualidades, gays, ninfomaníacas, racistas e monstros, esse musical usa de todo humor negro possível e consegue fazer uma crítica a sociedade americana em geral.

Trazendo essas inovações tanto nas letras de sua música quanto na forma de fazer um espetáculo, Avenue Q é um sucesso até hoje, e foi o primeiro espetáculo a voltar ao Off – Broadway depois de passar 6 anos nos maiores teatros de NY e retorna para o subúrbio em teatros menores sem perder nem um pouco de sua intensidade.

2) The Producers (2001)

De tempos em tempos surgem alguns espetáculos com um ar de ‘revival’; porém, por incrível que pareça, a produção de 2001 é original em tudo. O filme de 1968 ‘A primavera de Hitler’ vai contar a história de dois canastrões que queriam lucrar em cima de um espetáculo malfeito, porém o que eles não esperavam era que o show é um sucesso e o mundo todo se interessa. Com essa história metalingüística, Mel Brooks fez um dos melhores trabalhos de reconstrução de época, e dirigiu um elenco tão afiado que um filme com parte dos atores originais (Nathan Lane e Matthew Broderick) foi feito em 2005.

Esse ar de ‘revival’ fez com que ele tenha o recorde de premiações no Tony (12 no total) e que faça um sucesso imenso, tanto hoje, quanto no futuro quando então irão fazer um remake de um dos musicais que foram feitos na época errada, mas que o sucesso veio acompanhando.

1) Grey Gardens (2006)

Talvez esse musical esteja no topo não por ele ser o melhor da década, mas por ele unir tudo que um grande musical necessite e não errar em nada. Desde o elenco maravilhoso, até a música majestosa de Scott Frankel, o show veio na década errada, pois ele traz tudo àquilo que ‘The Producers‘ trouxeram. Um sentimento que esse espetáculo é encenado há anos e esse é mais um ótimo ‘revival’, mas por incrível que parece, não.

A letra de Michael Korie, remota as grandes produções da época de ouro e nos revela a histórias de Little e Big Eddie de uma forma perfeita, cada um com suas excentricidades e personalidades fortes e distantes, além de viajar entre o presente e o passado como pouco se conseguiu no teatro. Um cenário que há muito tempo não se via em nenhum espetáculo, ele é grandioso em certos momentos e minimalista em outros – outra lembrança dos musicais clássicos – ainda conta com a ajuda de uma dupla em total sintonia que é Christine Ebersole e Mary Louise Wilson.

Com toda essa harmonia de elementos, acho que ‘Grey Garden’ será um daqueles musicais que ficará marcado na história da Broadway, e já se tornou um clássico.

Lembro ainda de outros que fizeram muito sucesso e que renderam muitos outros trabalhos no futuro: Spring Awakening (2006), Mamma Mia! (2002), Hairspray (2003), In the Heights (2007), Next To Normal (2008), Rock of Ages (2008)

02/12/2009

Tudo Pode Dar Certo (2009)

É certo que Woody Allen é um daqueles cineastas que tem milhares de filmes em sua biografia, e que faz questões de lançar pelo menos um novo longa-metragem por ano. Cumprindo o ritual, ele nos entrega essa obra que não tem nada de espetacular, mas que também não é ruim. É apenas mais uma produção mediana no currículo desse grande cineasta.

Quando o velho professor rabugento de xadrez, Boris Yellnikoff (Larry David), recebe a visita de Melodie (Evan Rachel Wood), uma jovem que pede para se hospedar em sua casa, a relação que nasce entre os dois é tão real que um belo dia ela diz que está apaixonada por ele. Só que fica uma pergunta, como alguém poderia gostar de um hipocondríaco, que vive com raiva de tudo e de todos, tem tendências suicida e ainda dá milhares de ‘foras’ em qualquer um que tente se aproximar dele? E ainda tem a chegada da mãe (Patricia Clarkson, ótima) de Melodie que apenas incrementa toda essa situação.

Li na internet que esse roteiro está escrito desde os anos 70, e talvez por isso todo o avanço que Woody conseguiu dá nessas décadas foi esquecido, e ele voltou para aqueles filmes de nova-iorquinos que tanto produziu. Porém essa sensação é só a primeira vista, já que a câmera segura firme a estética contemporânea e ajuda o roteiro a caminhar melhor que as obras do passado. Outro fator auxiliador é o elenco. Evan Rachel Wood e Larry David estão em sintonia perfeita – caricatos sim – no entanto, ótimos. Em especial o Larry, que está irreconhecível e longe dos personagens comediantes que lhe deram tanto sucesso, ainda tem a participação da ótima Patricia que com sua personagem dá o verdadeiro significado da mudança interior das pessoas.

Mas, o longa termina e nada fica para depois da sessão, apenas a impressão que o filme foi bom, e que as coisas que parecem ser absurdas tem um final lógico e sem surpresas. Woody faz um filme com a ‘receita básica’ que ele sabe fazer, diálogos ácidos, personagens despidos de vergonha e uma cidade amada que às vezes serve com cenário, mas ele se torna um pouco esquecível em meio a tantos filmes perfeitos de Allen.

8,0/10
Direção: Woody Allen; Roteiro: Woody Allen; Elenco: Larry David, Evan Rachel Wood, Patricia Clarkson, Carolyn McCormick; 92 min.

28/11/2009

Código de Conduta (2009)

Só neste ano Gerard Butler já foi de comédia bem sucedida à ação descartável, mas o que mais me impressiona nesse filme é que ele se encaixa perfeitamente nesses papéis de grosso, revoltado e de ‘bad-man’. Aqui, até ele consegue ser melhor que Jamie  Foxx (um dos atores que mais odeio), e leva a trama com certa dinâmica e maturidade suficiente para entreter em alguns momentos.

Butler é um pai de família que viu sua mulher e sua filhinha sendo mortas, e o caso vai parar nas mãos de um promotor Nick (Foxx) que deixa um dos assassinos livre para livrar a cara de um companheiro. 10 anos depois, Clyde (Gerard) é preso por supostamente matar esse assasino em liberdade, mas tudo faz parte de um plano de vingança àqueles que deixaram o criminoso impune.

A tensão dessa vingança, muito bem bolada, diga-se de passagem, é a grande sacada do filme. Clyde não tem pena de matar todo mundo, de enfrentar frente a frente os policiais corruptos e de lutar pela sua justiça, mesmo que ele use métodos várias vezes cruéis. Se for para analisar o roteiro, você verá vários buracos, questões não resolvidas e situações irreais. Mas se você deixar de lado esses defeitos, o filme é pura ação e estratégia.

O grande embate, porém, é nossa torcida pelo lado do homem que tortura todos do que o lado da lei (mesmo que corrupta). E grande parte dessa torcida é por causa de Gerard, que consegue matar pessoas e explodir tudo com uma simpatia ótima, e de um Foxx super irregular, caricato e chato ao extremo. A direção de Gray é certa, mesmo o diretor tendo uma filmografia esquecível, e as cenas de ação e torturas são bem feitas e realistas, agradando quem vai ao cinema não esperando uma obra de arte, e sim, pura ação.

7/10
Direção de F. Gary Gray. Roteiro de Kurt Wimmer. Elenco Gerard Butler, Jamie Foxx, Colm Meaney, Bruce McGill, Leslie Bibb, Michael Irby, Regina Hall, Roger Bart, Viola Davis. 109 min.

26/11/2009

Fama (2009)

fame

Entrando nessa onda de relançar clássicos, Fama chega num momento em que musicais estão em alta, jovens lotam salas de cinema procurando romance e a mistura de diferentes tipos de dança está na moda. Com isso tudo, a cerne que guiava a produção original foi esquecida e rejeitada para se adaptar a esses novos espectadores. Uma pena.

Jovens em uma Academia de Artes que sonham em ser famosos e se destacarem em um mundo competitivo. Isso pode ser visto no cinema desde ‘A Chorus Line’ (1985) até ‘Step Up’ (2006), nesse remake não vai ser diferente. Tem uma garota de voz potente que é obrigada pelos pais a ser pianista, tem um bailarino bom, mas não tanto para ser solista, tem ‘rapper’ pobre querendo ser alguém na vida, professores que incentivam alunos e outros personagens com problemas. Clichê puro, e diferente do longa-metragem modelo de 1980.

No antigo, temas delicados como homossexualidade, audições fracassadas com diretores aproveitadores, suicídio e gravidez são objetos de debates e análises – não tão boas, é verdade – mas pelo menos elas estão ali para dizer algo a mais. Acho que é isso que falta nesse, atitude e maturidade para mostrar aquilo que fez sucesso no passado. E não apenas remixar músicas e deixá-las com uma batida atual que agradará adolescentes da era ‘High School’.

O filme não é todo ruim, mas fiquei decepcionado de como eles viraram as costas para os dramas mais fortes e optaram por uma leitura superficial e imatura de problemas muitas vezes escondidos do público em geral. As músicas são legais, mesmo revisadas nos remetem aos clássicos, os atores desconhecidos têm algum talento e a direção que não aposta em nada novo fazem desse filme um gasto em vão. Ficar com o antigo é bem melhor.

5,5/10
Diretor: Kevin Tancharoen
Roteiristas: Allison Burnett, Christopher Gore
Elenco: Kay Panabaker, Walter Perez, Naturi Naughton, Asher Book, Bebe Neuwirth
Duração: 107 min

25/11/2009

2012 (2009)

Todos sabem que Roland Emmerich gosta de grandes tragédias mundiais, a gente já viu isso em ‘Indepence Day’ e ‘Um Dia Depois de Amanhã’. Nesse novo ‘desastre-filme’, ele apenas utiliza uma roupagem do passado com efeitos de última geração, realizando mais um filme que surpreende por sua capacidade de criar fenômenos improváveis e de entreter.

Por um mito Maia, o ano de 2012 é cabalístico e seria devastador para a humanidade, os planetas conspirariam e desastres ocorreriam em todas as partes do globo, ninguém se salvará. Essa história é apenas o mote para Emmerich poder usar suas técnicas aperfeiçoadas e nos entreter por duas horas. Aqui os personagens seguem a linha do ‘escritor falido’ que se transforma em um ‘Rambo sem faixa’ capaz de fazer manobras inacreditáveis em um pequeno aeroplano e bolar estratégias de fuga que nem os caras da CIA conseguem.  Acompanhado por uma filha fofa, uma ex-esposa e seu namorado , eles tentam se salvar das terríveis conseqüências do azar de está vivo em 2012. Tentam viajar até a China, e ainda tem que se abrigar em umas embarcações gigantes que estão sendo construidas para salvar o maior número de vidas humanas e animais (sim, isso virou “A Arca de Noé”)

Nem as atuações medianas de atores bons (John Cusack,Danny Glover, Amanda Peet), nem os erros no roteiro, nem as fugas inverossímeis, nem a morte de vários personagens, nem mesmo a trilha sonora clichê me fizeram desistir do filme. Ele é bom, empolga em várias cenas e leva o espectador a embarcar nos efeitos de uma forma tão boa quanto ‘Star Trek’. Assim, cumpre muito bem seu papel de passar verdade em acontecimentos que simplesmente nunca existirão. E ainda poder vê o Brasil (mesmo que por dois segundos) sendo lembrado em um filme desse porte, já é um orgulho tremendo.

7,5/10
Diretor: Roland Emmerich
Roteiristas: Roland Emmerich, Harald Kloser
Elenco: John Cusack, Amanda Peet, Chiwetel Ejiofor
Duração: 158 minutos.