16/11/2009

Garota Infernal (2009)

Untitled 2

Longe de ser um filme de terror, ‘Jennifer´s Body’ foi feito para juntar as duas mulheres que mais se destacaram no ano passado, uma por deixar de ser stripper e virar roteirista e a outra por chamar mais atenção para suas curvas do que para as toneladas de aço de ‘Transformers’. Sim, Diablo e Megan se encontraram e fizeram um filme para adolescentes que procuram diversão, sangue e uma pitada de humor negro bem-feito.

Quando Jennifer (Megan Fox), uma líder de torcida gostosa, mas não muito popular, decide que viver no anonimato com sua amiga nerd Needy (Amanda Seyfried) é horrível, a ‘cheerios’ vai atrás da fama, porém acaba se envolvendo com uma banda macabra e termina com o ‘diabo no corpo’ literalmente. Mais sensual do que nunca, ela está pronta para encarar o pessoal da sua cidade e lutar por ser alguém. No entanto, para manter esse corpão, ela tem que se alimentar de sangue, e aí começa o pesadelo deles que a rejeitaram no passado.

Diablo é a grande responsável por não levar esse filme a ser um ‘trash sexual’, e com suas pitadas típicas do mundo pop (indo de Maroon 5 até Hole) ela dá um exemplo do que é ser antenada com esse universo. Outra responsável por transformar o longa-metragem não apenas um ‘pôster de borracharia’ com uma mulher bonita rebolando, é Seyfried. A nerd melhor amiga é que carrega os diálogos mais sérios e que conduz a trama bem melhor do que Megan. Já essa cumpre seu papel de ser ‘formosa’ e ter cenas de tirar o fôlego (se é que você me entende).

‘Garota Infernal’ tem um bom humor negro e duas protagonistas que mesmo sendo diferentes compartilham de uma amizade verdadeira e dividem uma cena que fará marmanjos babarem. Com uma trilha empolgante e roteiro inteligente, o filme não traz nada de novo, mas diverte. Só não vá ao cinema esperando um grande espetáculo, porque a decepção será grande.

7,8/10
Direção: Karyn Kusama
Roteiro: Diablo Cody
Elenco: Megan Fox, Amanda Seyfried, Kyle Gallner, Johnny Simmons, Adam Brody
Duração: 102 min.

15/11/2009

500 Dias com Ela (2009)

500dias

É incrível como a simplicidade é a arma mais eficaz para um bom divertimento. Nesse filme, Marc Webb, famoso por seus clipes que vão de Hilary Duffy até Regina Spektor, sabe aproveitar o material que tem e faz um grande mosaico sobre um amor verdadeiro que teve um final triste.

Tom (Joseph Gordon-Levitt) é um escritor de cartões comemorativos que acredita no amor a qualquer custo, já Summer (Zooey Deschanel) é uma mulher que nunca acreditou muito em romances perfeitos e vê a vida como um mar de idas e vindas. Os dois têm um relacionamento, mas ela não acha que Tom era o grande parceiro para toda vida e acaba o namoro. A partir daí que ele vai relembrar toda a trajetória que os fizeram ficar juntos e procura onde erraram para que o romance acabasse.

Esse tema batido sobre discussão amorosa poderia resultar em um filme cheio de clichês e que em nada acrescentaria ao gênero. Porém, Webb vai fazer um estudo profundo sobre a forma de fazer cinema de comédias a partir de um roteiro afiado, uma fotografia alegre e principalmente uma trilha sonora que se destaca como uma das melhores do ano. Com um elenco encabeçado por dois atores que estão em papéis ótimos (e merecidos), a trama recortada é como as colagens que Tom faz nos cartões que produz, ora momentos alegres, ora tristes, ora apenas corriqueiros, típico de casais apaixonados, mas com a diferença que naqueles momentos Tom sempre falava sobre o futuro, enquanto Summer se dedicava a desfrutar o presente.

Montando esse enorme implexo que foi o romance de Tom e Summer de uma forma não-linear, Marc Webb faz desse filme o mais ‘cute’ do ano, querido tanto entre a crítica quanto o público e que nos traz aquela sensação depois do cinema de abraçar a primeira pessoa na rua e colocar a trilha para tocar mais uma vez. Saber decifrar os mistérios do amor é uma das coisas mais complicadas de ser feita, mas esse longa-metragem provou que o melhor caminho para essa descoberta é a simplicidade.

9,5/10
Direção: Marc Webb
Roteiristas: Scott Neustadter, Michael H. Weber
Elenco: Zooey Deschanel, Joseph Gordon-Levitt, Minka Kelly, Chloe Grace Moretz, Matthew Gray Gubler.
Duração: 95 min.

13/11/2009

Os Fantasmas de Scrooge (2009)

13

Essa não é a primeira vez nem será a última que um dos mais famosos livros de Charles Dickens, ‘Um Conto de Natal’, vai ser adaptados para as telas. Dessa vez foi Robert Zemeckis (perito em captura de movimentos desde ‘O Expresso Polar’) que se embarcou nesse clima de natal para contar a história do velhinho rabugento que é visitado pelo espírito do natal Passado, Presente e do Futuro.

Dizer que a tecnologia surpreende é pleonasmo, algumas vezes é dificílimo lembrar-nos que o filme foi feito para crianças, quem nem se apegam muito a essa tecnologia e está ali só por diversão. Mas a grande pergunta vem agora, será que é um filme realmente para crianças? Ele é sombrio, triste em demasia e cruel em várias partes. É como se estivéssemos assistindo ‘O Estranho Mundo de Jack’ ou ‘Coraline’, o filme tem a aparência e conteúdo de adulto, com um fundo didático feito para criança.

Jim Carrey está tão bem que suas caretas típicas parecem ter achado finalmente o personagem certo para naufragar e faz de Ebenezer Scrooge (o velhinho) um poço de personalidade. Sem contar os fantasmas, cada qual com uma personalidade única e bem cruel, diga-se de passagem. Porém o mais impressionante é a tecnologia dos movimentos usada, que junto com o 3D, faz dessa experiência única até agora, é como ir para a Londres do século XIX junto com Scrooge só que ela é digital!

Com essa técnica perfeita e uma fotografia que impressiona, o filme tem aquele final construtivo esperado, mas como chegar nele é que há um grande diferencial. Se em todas as outras adaptações de Charles o principal era divertir e dá gargalhada, aqui o lado sombrio da obra salta e invade a tela com cenas cruéis, tristes e dramáticas, que fazem as crianças saírem do cinema em silêncio e pensativas e podem fazer os pais se perguntarem se aquele filme era realmente feito para garotos.

8,5/10
Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: Robert Zemeckis
Elenco: Jim Carrey, Gary Oldman, Colin Firth, Fionnula Flanagan
Duração: 96 min.

11/11/2009

Amantes (2008)

two_lovers

James Gray não é um dos meus diretores favoritos, acho que ‘Os Donos da Noite’ é o único filme dele que eu gosto, mas tenho que dizer que todos os elogios que ouvi desse filme são verdadeiros, porém um pouco exagerados.

Leonard (Joaquin Phoenix) é uma pessoa sem esperança na vida desde que sua esposa o abandonou, mas a partir do momento que conhece duas mulheres, Sandra (Vinessa Shaw) e Michelle (Gwyneth Paltrow), a vida dele começa a virar da cabeça para baixo. Se a primeira foi apresentada por seus pais, a segunda é uma misteriosa vizinha. E envolvido com as duas, não sabe se arrisca um romance sério, ou se aventura com a outra.

Esse enredo já deve ser conhecido por todos, e assistir o filme apenas baseado nele deve ser uma chatice, porque o que menos importa aqui é a história, que convenhamos não é tão original assim. O filme é apoiado unicamente pela atuação do trio principal e pela mãe de Leonard, interpretada pela veterana Isabella Rossellini. Aqui não há uma câmera que arrisca, nem uma trilha sonora que salta da tela, nem uma fotografia magnífica.

Munidos de um texto super verossímil, os atores estão em sintonia em todos os momentos, seja nos encontros entre Leonard e Michelle no telhado, ou nos jantares de família com Sandra, os diálogos fluem com naturalidade e veridicidade em cada palavra. Mas o grande destaque é Phoenix, que entrega sua melhor atuação, e que pretende encerrar sua carreira com esse filme (um acerto). A grande dor da dúvida que ele carrega atravessa a tela e nos arrasta para essa vida amargura e indecisa. Nos levando a um final que, sinceramente, eu já esperava vindo de uma obra de Gray.

Longe de ser memorável, acho que o filme só teve tanto prestigio não por ser perfeito, mas por nenhum outro filme falar do amor neste ano tão bem quanto ele. Acho que, assim como o longa-metragem, nos fomos salvos de um suicídio e precisamos de alguém para nos lembrar de agradecer a quem nos salvou. Thank’s Phoenix.

7,5/10
Direção: James Gray
Roteiro: James Gray, Ric Menello
Elenco: Joaquin Phoenix; Gwyneth Paltrow; Vinessa Shaw; Isabella Rossellini; Moni Moshonov
Duração: 100 minutos

09/11/2009

Terror na Antártida (2009)

Untitled 1

Para começar, esse não é um filme de terror, antes fosse. Esse título é uma jogada de marketing desesperada para um filme que não tem nada a mostrar. A adaptação do HQ de Greg Rucka e Steve Lieber tem muito erros e nem a beleza de Kate Backinsale consegue deixar o filme atraente.

A história que relata o único assassinato que aconteceu na Antártida, e uma agente federal (Kate) é mandada para lá para investigar o que aconteceu, porém ela tem que resolver o mistério antes que o inverno chegue e não consiga mais voltar para casa. A trama poderia sugerir muito suspense, sustos e muito sangue sobre a neve. Algumas coisas acontecem, é verdade, e nos fazem pular da cadeira, mas em sua maioria o filme não desenvolve e fica meio sonolento numa certa altura.

Se no HQ é assim, eu não sei, mas se têm alguma coisa de boa no filme que o salva do detestável é os cenários. O branco que predomina na tela na maioria das cenas é bem feito e nos dá a impressão que estamos mesmo na tal Antártida perdida, abandonada, e sem viva alma por perto, só a agente e o tal assassino. Porém começam a aparecer vários personagens não sei da onde e se metem na trama caídos de pára-quedas, e ainda mais sem função alguma na história (sic.). São vários diálogos totalmente descartáveis e cenas que deveriam ser cortadas, talvez por isso toda a ação prometida pelo enredo, não é cumprida.

Um filme que passou mais de dois anos na ‘pós-produção’ deveria vir, pelo menos, acompanhado de qualidade ou apenas entretenimento, mas nem isso eles conseguem. Fazendo uma película falha, com pouca ação e que nos leva a um final desprezível e previsível. Enfim,  Backinsale, que está no premiado ‘Everybody`s Fine’, se meteu nessa roubada e ainda fica com vários quilos de roupas por baixo, escondendo seus dotes que tanto fizeram sucesso nos filmes de ‘Anjos da Noite’

5/10
Direção: Dominic Sena
Elenco: Kate Beckinsale, Columbus Short, Gabriel Macht, Tom Skerritt
Duração: 101 min.

07/11/2009

Besouro – O Filme (2009)

besouro

Que esse não é um típico filme brasileiro, isso todos devem saber. Não é sobre favela, nem tiroteio, nem tem atores globais chorando. É um filme de ação que chamou mestre Huen Chiu Ku (Kill Bill) para coreografar Aílton Carmo, o intérprete inexperiente do famoso capoeirista de terras baianas Besouro Mangangá, tem cenas no estilo O tigre e O dragão, mas com a luta escrava no foco, e um roteiro com falhas. No entanto, o resultado final é satisfatório apenas por se tratar de uma produção inovadora, nada mais.

João Tikhomiroff é um publicitário que já ganhou quase 50 prêmios em Cannes, e escolheu trazer aquilo que faltava ao cinema brasileiro: um bom filme mainstream de ação. Escolheu adaptar a obra “Feijoada no Paraíso” de Marco Carvalho que conta a história de Manoel ‘Besouro’ Henrique Pereira, considerado o maior capoeirista da história, e que segundo lendas, podia até voar, porém o seu principal papel foi de ativista contra a exploração de mão-de-obra de ex-escravos em pleno ano de 1920 no Recôncavo Baiano.

Com uma história boa dessa, não precisava acrescentar nada, mas Tikhomiroff quis colocar um triangulo amoroso com o herói, e a partir daí começou a errar. Com um roteiro que não se desenvolve, e parecer está ali apenas para intercalar as lutas bem ensaiadas de Huen, a história do nascimento do mito brasileiro é contada tão superficialmente que as coisas não ter sentido. E a vingança, que é a grande revolta do herói , é esquecida na metade do filme, dando novos rumos aos personagens e fantasiando aquilo que não deveria.

O cenário paradisíaco da Chapada Diamantina, com uma trilha ótima de Gilberto Gil e as lutas bem realizadas poderiam fazer desse filme memorável, mas os enormes erros no roteiro fazem dessa produção, que teve um orçamento de 10 milhões de reais, apenas uma série de coreografias aéreas mal aproveitadas na história, mas não menos empolgantes.

7/10
Direção: João Daniel Tikhomiroff
Roteiro: Patrícia Andrade, João Daniel Tikhomiroff
Elenco: Aílton Carmo, Anderson Santos de Jesus, Jessica Barbosa, Flavio Rocha, Irandhir Santos

Duração: 120 min

05/11/2009

The Girlfriend Experience (2009)

confissoes_de_uma_garota_de_programa_2009_g

Com um título em português de ‘Confissões de uma Garota de Programa’ era de se esperar um filme cheio de cenas de sexo e uma análise sobre o  submundo desses serviços. Mas aqui o que domina é o diálogo, a câmera e o dinheiro. Uma crítica sobre os dias que procederam após a crise financeira internacional sob a vista de uma ‘Girlfriend Experience’.

Steven Soderbergh é conhecido por sua diversidade filmes, que vão de ‘Onze homens e um segredo’ até o ótimo ‘Sexo, mentiras e videotape’, e ano passado ao conhecer uma atriz pornô (Sasha Grey) decidiu iniciar um projeto sobre a vida dessa mulher que é paga para escutar e fazer sexo [mas isso é o menos importante].

A história de homens ricos que pagam 2.000$ por hora para jantar com ela, assistir um filme, desabafar um pouco e depois irem a um hotel é contada sob a ótica de Chelsea (Grey), uma dessas ‘profissionais’. Ela mora com seu namorado (Chris Santos), que sabe que o trabalho dela são apenas negócios, em um loft em NY e vive no luxo proporcionado por sua ‘labuta’. Acompanhar os homens que a contratam é que é o grande rumo do filme, se no início as conversas eram sobre filmes, família ou eleição, após o estouro da crise o único foco desses clientes é o dinheiro e as ações falidas, e como sair dessa encurralada, porém ao mesmo tempo em que eles pagam uma fortuna por uma acompanhante, ironia pura e bem feita.

O elenco não desaponta, Sasha é limitada, é claro, mas aqui não prejudica o resto do filme, e até mesmo seu namorado tem cenas bem feitas. O forte diálogo, o roteiro bom, e um diretor experiente fazem desse filme uma ótima pedida. Talvez o maior erro, e até mesmo fatal, é o tom muito documental e meio reality show  optado, que tendo pouco mais que uma hora, passa com dificuldade e arrastado, tendo cenas secas e pálidas para um filme que deveria ser mais ágil.

6/10
Diretor: Steven Soderbergh
Roteiro: David Levien, Brian Koppelman;
Elenco: Sacha Grey, Chris Santos, Peter Zizzo, Timothy J. Cox
Duração: 78 min.

03/11/2009

Alô Alô Teresinha! (2009)

alo-alo-teresinha

É certo dizer que o personagem Chacrinha povoa a mente de muitas pessoas, mesmo aquelas que nunca viram o programa (eu), sabem da importância dele para a televisão brasileira. Com sua irreverência, apitos e troféus, Abelardo Barbosa conseguiu seu espaço na TV e no imaginário dos indivíduos, se tornando um dos maiores ‘mitos’ dos anos 70 e 80. Neste documentário de Nelson Hoineff, em vez de desmitificar o comediante ele apenas enraíza esse forte lado do personagem.

Ganhador de Melhor Filme no Cine-Pe desse ano, Nelson fez um trabalho de garipagem e restauração de vídeos da época, montando um enorme mosaico da vida desse homem e misturando com depoimentos emocionados de várias pessoas que o conheceram e o ajudaram a ser o sucesso que ele é até hoje. De Roberto Carlos a Rita Cadillac, todos sabem da magia que existia por detrás desse apresentador e nesses testemunhos Hoineff acerta. Mas quando ele parte para o lado mais cômico dos entrevistados, ele tem uma mão forte e acaba se perdendo da construção de Chacrinha para centrar-se nos outros personagens que já tinham passado pelo programa. Perdendo, assim, o foco fundamental.

Como um dos entrevistados disse: ‘O deboche é cruel’, e no documentário é mais que explícito esse lado. Um homem que levou uma buzinada e chora ao lembrar-se disso, uma das chacretes nua em uma fonte de água, ou outra tentando entrar no maiô da época, são apenas alguns dos momentos ‘vergonha-alheia’ proposital que o diretor optou a colocar, e se defendeu dizendo que queria trazer aquela crueldade do velho guerreiro para o filme. Alguns podem não gostar, achar que expor isso é uma brutalidade, mas eu gostaria se isso se não atrapalhasse o roteiro, entretanto esse foco não foi bem explorado e parece está ali apenas para arrancar risos da platéia, e não mostrar quem realmente foi Abelardo.

No final, voltar àquele tempo em que eu não estive presente foi um ótimo, e conhecer mais um pouco desse ícone da televisão foi super satisfatório. Tirando alguns tropeços, Hoineff fez um filme debochado como o Chacrinha, que consegue nos fazer rir e admirar esse homem que fez a crueldade parecer comédia.

8/10
Diretor: Nelson Hoineff
Roteiro: Newton Cannito, Nelson Hoineff
Elenco: Roberto Carlos, Gilberto Gil, Wanderléia, Wanderley Cardoso, Gretchen, Sidney Magal, Russo
Duração: 95 min

30/10/2009

Matadores de Vampiras Lésbicas(2009)

lesbian-vampire-killers

Eu não gosto de comédias forçadas, daquelas com Jason Biggs e Seann William Scott eu passo longe, é uma tortura assistir qualquer paródia americana, com piadas machistas e muito sexo. Dito isso, preciso dizer que me rendi ao deboche que é ‘Matadores de Vampiras Lésbicas’, um filme que tem tudo que eu odeio, mas que eu gostei.

Jimmy (Mathew Horne) e Flecht (James Corden) são dois amigos que estão com suas vidas acabadas, um perdeu a namorada o outro, o emprego. Juntam dinheiro e decidem acampar, porém eles vão parar em um vilarejo onde as mulheres são vítimas da lendária maldição das Vampiras Lésbicas, e junto com Lotte (MyAnna Buring) vão a luta pelo encerramento dessa praga.

Com esse enredo cheio de clichês, que vão da virgem gostosa até um descendente do guerreiro que matou a Rainha das Vampiras, Phil Claydon faz um filme cheio de piadas com duplo sentidos, mulheres seminuas, lesbianismo e sacadas geniais. Esperar um filme sério? Nem pensar. Imagine um grupo de adolescentes nerd que gostam de filmes trash e que decidem fazer um longa, pronto, acho que o diretor e os roteiristas decidiram seguir essa linha, só que usando efeitos  caros, mas feitos para parecerem de uma produção B.

É clara uma tentativa de chegar perto de ‘Todo Mundo Quase Morto’ (do também britânico Edgar Wright), eles se aproximam muito e conseguem fazer uma trama rápida em sua primeira parte, mas um pouco cansativa na segunda, com um final que pode render continuações [eu espero que sim] e uma trilha que já começa com VV Brown e continua com as letras ótimas de Debbie Wiseman, que produz todo o resto do álbum.

O filme é um pouco machista é verdade, o que pode espantar as mulheres em alguns momentos (a transformação das mulheres em vampiros é um orgasmo?), mas é tão debochado e divertido, que todo esse clima de filme pornô cheio de clichês-fetiches é usado apenas para agradar aqueles que realmente vão gostar do filme: adolescente, que procuram diversão e descompromisso.

Direção: Phil Claydon
Elenco: Paul McGann, James Corden, Mathew Horne, MyAnna Buring, Vila Filatova
Roteiro: Paul Hupfield, Stewart Williams
Duração: 88 min.

28/10/2009

Stella (2008)

stella_2008_g

Fazer um filme sobre a difícil transição entre a infância e a juventude não é novidade para ninguém. Mas a diretora francesa Sylvie Verheyde escolheu esse tema para iniciar sua carreira no cinema. E fez mais  do que apenas um filme sobre essas mudanças, fez um trabalho leve, divertido e cheio de descobertas.

Stella (Léora Barbara, que entrega um trabalho ótimo em seu primeiro papel) é uma menina do subúrbio da França de 1970, que tem 11 anos e consegue entrar em uma escola de prestígio. Assim que começa é logo estereotipada, mas ao contrário do normal, ela não parece sofrer com essa discriminação, ela é uma garota esperta, madura e que não leva desaforo para casa. Talvez esse amadurecimento precoce seja por causa do seu convívio familiar, e porque seus pais têm um bar em que ela passa a maior parte do dia, e aprende com os diversos personagens que aparecem por lá bem mais que a escola.

Mas ao se aproximar de Gladys, uma argentina que é a primeira da turma, a vida dela muda, e daí começam todas aquelas descobertas típicas de uma criança. Ela se apaixona, menstrua e vê o mundo de outra forma. E a câmera acompanha isso. Se no início do filme as imagens têm focos em coisas que normalmente só criança veria, com o passar do tempo, as cenas são vistas sob outra ótica, mais amadurecida e centradas.

Atores consagrados como Gillaume Depardieu, Benjamin Biolay e Karole Rocher fazem também um ótimo trabalho, mas a pequena Léora é o maior trunfo do filme, ela encanta com apenas um olhar. Como já é de praxe, Sylvie Verheyde também teve o apoio de uma trilha sonora francesa perfeita, uma fotografia fora do normal e um roteiro (quase autobiográfico) majestoso, que a ajudam a fazer dessa produção uma ótima estréia. Um filme que toca, faz rir e emocionar em poucos minutos.

direção/roteiro: Sylvie Verheyde
elenco: Léora Barbara , Mélissa Rodriguez , Karole Rocher, Benjamin Biolay, Gillaume Depardieu
duração: 01 hs 43 min